FREGUESIA DE BOGAS DE CIMA - FUNDÃO  


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A HISTÓRIA


Bogas de Cima é Freguesia desde a segunda metade do século XVIII. Inicialmente formava com Bogas de Baixo e outros lugares uma única freguesia, com uma só localidade denominada Bogas, na qual nasceram três núcleos populacionais que naturalmente receberam aquele nome e se distinguiram por complementos, determinativos de posição; de Baixo, que hoje constitui a freguesia deste nome, depois de perdido o que pertence a outra; do Meio e de Cima. Em 1758, Bogas de Cima era uma pequena povoação com cerca de dezena e meia de fogos, que andava anexa à freguesia de Silvares. A sua erecção paroquial, posterior à aquela data, deve ter tido lugar pelos finais do século.
Hoje, Bogas de Cima é maior que a sua homónima de Baixo.

Bogas de Cima, a Sede de Freguesia

Bogas é um nome muito antigo e, por certo, numa forma inicial directa, visto que nos parece demasiado óbvio pensar em "Boga", a espécie piscícola que, segundo o pároco de 1758, habitava a ribeira de mesmo nome.
«Bogas pode também ter derivado do muito arcaico Baoca, que derivou de "bavoca", de sentido obscuro. Seja qual for a origem do topónimo, é indubitável que se nota nele um profundo arcaísmo, como arcaicos são também outros dos topónimos da freguesia, especialmente Malhada Velha, com origem no medievo "malhada".
Sobre o arcaísmo revelado pelos nomes desta freguesia, Candeias da Silva acrescenta: "Aliás, deve registar-se que ainda hoje existe nas Bogas de Cima uma artéria com o nome de Rua do Castelo, sinal evidente de ali ter existido um pequeno reduto no cimo do povo, talvez desde os meados do século XVII.
Relevante nesta freguesia é o artesanato, com especial ênfase na tecelagem do linho.
O cultivo e o trabalho do linho foi praticado desde tempos muito antigos um pouco por todo o país e em muitas aldeias do concelho do Fundão. Constituía num passado recente a principal fibra utilizada na confecção de vestuário e roupa de casa. Manteve ao longo dos séculos um carácter artesanal e caseiro, provendo sobretudo ao consumo familiar, ou então servindo para pagamento de rendas e foros. Aqui na freguesia de Bogas de Cima, a cultura do linho foi e é tradição. Há ainda artesãos que trabalham o linho desde a sementeira à tecelagem.
O vigor que a tecelagem do linho aqui regista é ainda mais de louvar quando nos lembramos que José Germano da Cunha já em 1892 anunciava a sua morte: "Uma das indústrias que se acham quase mortas no concelho do Fundão, é a da tecelagem do linho. A facilidade de transportes e a barateza dos panos de linho vindos principalmente do norte do País, e o ter-se generalizado o uzo dos panos de algodão, tudo isto fez que deixasse de valer a pena a despesa relativamente grande em que importava uma teia".»

Povoação de Bogas do Meio

Na sequência da pesquisa realizada no índice do Dicionário Geographico organizado pelo Padre Luís Cardoso, obra manuscrita em vários volumes existentes na Torre do Tombo e que contem as memórias paroquiais de todas as freguesias de Portugal (só Continente) em resposta a um questionário oficial que foi dirigido a todos os párocos após o terramoto de 1755, apenas encontrámos uma notícia sobre a freguesia de Bogas de Baixo, do termo do Fundão (vol.7, pp.947 a 950; microfilme, rolo 301).
Esta memória paroquial está datada de 6.5.1758 e é da autoria do respectivo cura de Bogas de Baixo, Padre José Rodrigues Latado. Nela se faz referência às aldeias de Bogas do Meio, Descoberto, Machial e Ladeira, bem como às povoações de Bogas de Cima, Boxinos e outras, todas pertencentes à freguesia de Bogas de Baixo.
Bogas de Cima era ainda na segunda metade do século XVIII uma pequena povoação integrada na freguesia de Bogas de Baixo. Porém, no ano de 1839 já era uma freguesia do concelho do Fundão. A sua elevação a freguesia deve datar desse ano, pois são precisamente de 1839 os primeiros registos paroquiais de baptismos e de óbitos da Paróquia de Bogas de Cima.




Povoação de Malhada Velha



Povoação de Boxinos



Povoação de Descoberto


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