FREGUESIA DE MOURILHE - MONTALEGRE  


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LENDAS


O LAVRADOR POBRE

Dedicado a todos os agricultores da Freguesia de Mourilhe.


«O sino plange no alto campanário,
Depois de o sol se pôr na minha aldeia,
E o lavrador que pela noite anseia,
P`ra casa vem, contando o seu rosário.

Desde manhã no campo solitário,
É com cansaço que os tições ateia;
E, enquanto a mulher prepara a ceia,
C`os filhos reza. (o lar é um santuário).

Ao outro dia vai, pacientemente,
Ouvindo ranchos que, pelos campos fora,
Trabalham, cantam, sob um sol ardente.

Cai o meio dia. A tarde não demora.
Que fome tem … Só pão na sua frente …
Cansado, o lavrador senta-se e chora.»

Autor: Elias Antunes


Lenda das Quatro Irmãs de Mourilhe

«Eram quatro irmãs que viviam em Mourilhe na casa do Outão. Morreram as 3 e uma delas que com elas dormia ouviu dizer a um espírito de um padre que ia morrer. Disse ao namorado a visão e pediu-lhe que se fosse despedir dela que ia morrer. E não foi. Com os remorsos de não ter ido, morreu também.»


Lendas das Luzes em Mourilhe

«Eu via uma luz de noite que vinha da Sra. das Treburas, ao Senhor da Piedade ao S. Amaro de Donões. Chamava os irmãos andai ver e nós víamos, diz a Luísa do Braza.

Outra lenda da luz conta o J. Braza aparecia ao seu pai no Prado e o pai com o medo não ia tornar a água ao campo.

Outra luz aparecia no marco que tinham mudado. Só desapareceu quando o voltaram a repor na Cremadoira. A coisa pior que havia era mudar marcos dos terrenos. Dizem que “ANDAVAM COM ELE” ás costas no outro mundo.

No outeiro da Chouriça, no Gabinho aparecia sempre lá uma luz, vinha lá de cima da portela da cruz (Donões), à ponte da cerva, carreiro-às, e vinha-se apagar-se a ontelo, afirma o José Braza ao serão, no Hotel Rural.»


Lenda da Praga de Fogo

«Há muitos, muitos anos, vivia em Mourilhe, na região de Montalegre, Aben Ahmid, filho do chefe dessa aldeia moura. A sua tribo estava proscrita em relação aos outros muçulmanos que a abandonaram aquando do avanço cristão.
Ora um dia, Aben decidiu sair do reduto mouro de Mourilhe e cavalgou até ao Minho. Aí conheceu uma bela jovem cristã chamada Leonor. Foi amor à primeira vista e como a jovem também o amava, Aben pediu-lhe que partisse com ele para Mourilhe. Depois de recusas e hesitações, pois era cristã, Leonor cedeu aos impulsos do coração e foi com Aben.
Contudo, a aldeia e o pai de Aben não receberam bem os jovens apaixonados, principalmente Leonor, que logo quis regressar à sua terra. Expulsos da casa do chefe, foram recolhidos por Almira, a mulher que criara Aben desde pequeno pois era órfão de mãe. Almira acolheu muito bem Leonor, o que fez com que Mohamed, pai de Aben, ficasse colérico. Como Almira gostava muito de Aben, correu a falar com Mohamed que disse já não o considerar seu filho. Depois do seu concelho se ter retirado, o chefe ficou a sós com Almira que lhe pediu para se reconciliar com o filho e aceitar Leonor. Mohamed lembrou-lhe, então, que Aben estava prometido a Zoleima, uma moura da aldeia.
— Teu filho não a ama. Ninguém pode mandar no coração — lembrou Almira ao renitente Mohamed e recordou-lhe que, na sua juventude, também ele se apaixonara por Anália, uma jovem cristã, abandonando Zuraida em vésperas de ser mãe de Aben. Só voltara porque Anália caira doente e morrera pouco tempo depois. Zuraida recebeu e perdoou-lhe, mas foi maltratada por Mohamed e acabou por morrer também, deixando o pequeno Aben sem mãe.
Perante estas lembranças, era cada vez maior a ira do chefe mouro que, intransigente, correu com Almira. Leonor era, pois, um remorso vivo para Mohamed. O insucesso de Almira era evidente, o que fez com que Aben decidisse abandonar a aldeia, com a ama e Leonor. Mas não sem antes se despedir de seu pai, que adorava devotamente. Ainda na aldeia e em conversa com Leonor, Almira lembrou-lhe de um último estratagema para alterar a situação: tinha de falar com Zuleima que amava Aben desde criança, ainda que este nunca tivesse correspondido a tal paixão.
Zoleima, contudo, não se encontrava em casa quando Almira a procurou. Ao saber da vinda para a aldeia com uma cristã, louca de dor e raiva, tinha corrido para a casa do jovem. Mas vendo-o, escondeu-se, até conseguir estar sozinha com Leonor. Mal Leonor saiu, Zoleima silenciosa e esquiva, acercou-se-lhe pelas costas e apunhalou-a, fugindo de imediato.
Pouco depois, surgiram Aben e Almira, que depararam já com a pobre Leonor morta, envolta numa poça de sangue. A dor logo envolveu Aben e Almira, deixando-os aterrados e inconsoláveis. Então, Aben decidiu cobrir com um manto o corpo sem vida de Leonor e levá-lo consigo para bem longe dali, com Almira. Esta ainda o tentou demover, mas nada conseguia vencer o desespero de Aben, louco de tristeza e dor.
— Leonor está morta — Lembra-lhe Almira. O jovem respondeu que fugiria só com a sua amada, caso Almira não o quisesse acompanhar. Aben pegou então em Leonor e montou a cavalo, partindo de imediato em feroz galope para fora da aldeia. Almira, petrificada, chamando insistentemente por Aben, sem sucesso, voltou-se para a aldeia atrás de si e disse:
— Malditos sejam todos os desta terra! Que o fogo destrua estas casas! O fogo que hei-de pôr com estas minhas mãos! Hão-de saber quem é Almira, malditos cães danados. Esta terra só estará purificada depois de por três vezes ser destruída pelo fogo! Mourilhe esta é a praga de Almira!

Verdade ou não, Mourilhe foi, de facto, três vezes devastada pelo fogo. (na reconquista Cristã, em 1854 e em 1875).»

Fonte: Textos retirado do site "Lendas de Portugal"




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