FREGUESIA DE ALCAIDE - FUNDÃO  


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LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA


Alcaide localiza-se num contraforte da vertente Norte da Serra da Gardunha a uma altitude de 580 metros, com vistas para a Cova da Beira e dista aproximadamente 7 kms da cidade do Fundão, sede de concelho.
Quatro quintos da sua área implantam-se na Serra. O clima é temperado. A região do Alcaide é constituída por terrenos xistosos e aluviões de vertente, encontrando-se ligeiros afloramentos de granito já explorados.

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HISTÓRIA


«Freguesia do concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco, o seu orago é S. Pedro.
O povoamento da freguesia é bastante remoto; esta ancianidade é atestada pela toponímica do local, mas também pela arqueologia da região, em castros, edificações dolménicas e outros vestígios da presença de populações pré-romanas; embora esta fixação humana não fosse permanente, manteve-se tempo suficiente para que a povoação não se extinguisse, tal como aconteceu com muitos outros locais do país.
Segundo a tradição, o nome da terra de alcaide é derivado de "Al Kaid", designação árabe, cujo significado é "governador" ou "capitão", assim, a origem do nome da freguesia estará relacionada com o facto de ter sido fundada por algum "al kaid", que terá governado a Covilhã Velha, embora não exista qualquer documento que faça referência a esta Covilhã pré-Nacional, que foi uma fortaleza e povoação que existiu, a pouca distância da freguesia. Todavia, alguns autores excluem totalmente esta teoria e expõem outra opinião a respeito da fundação do local; concordam que a terra terá sido fundada durante o domínio árabe, mas por um indivíduo de no "Al Kaid" e não de alguém com este título governativo.
Do século XII para o seguinte, deve-se à clarividência política de D. Sancho I, a reedificação da Covilhã que estava prestes a ser abandonada pelos seus habitantes, pelo que será nesta época de repovoamento que se poderá procurar o "alcaide" referido no topónimo. De facto, nas Inquirições de 1258, é várias vezes mencionado um "alcaide" da Covilhã, que nela possuia bens e vassalos. "Stephanus Johannis pretore de Covillana est patronus", ou seja Estevão Anes era o alcaide da Covilhã, também apontado nas mesmas Inquirições, como o alcaide em Lagos e em Moimenta, e com direito de conferir benefícios eclesiásticos por nelas ter fundado a paróquia cristã. O povoamento pelo alcaide D. Estevão Anes está também bem expresso nas Inquirições de 1290, que mencionam que a aldeia que chamavam "do alcaide", pertencera ao alcaide D. Estevão que a repovoou. O segundo senhor da povoação foi o filho de D. Estevão Anes, D. João Esteves, que atribuiu à localidade a dignidade de Vila, deixando de se chamar "Aldeia do Alcaide", passando a ser denominada pelo actual topónimo.
Quanto à paróquia de S. Pedro da "Aldeia do Alcaide", foi instituída no século XIII, de início como igreja particular dos senhores da povoação, que apresentavam por via de direito de fundação, o abade. Mais tarde, a paróquia passou a ser do padroado do rei, assim como a posse da terra, por extinção da estirpe até então possuidora legalmente da Honra.
Não há conhecimento de a povoação ter recebido foral de qualquer dos reis que governou o país, o que de certo modo prova que a elevação a vila foi obra do seu senhor e donatário que possuia plenos poderes para tal. Alcaide é mencionada em quase todos os dicionários e mapas antigos com a designação de vila, sendo mesmo a única vila rural do antigo concelho da Covilhã. Em Julho de 1747 foi criado o concelho do Fundão, ao qual Alcaide ficou a pertencer até aos nossos dias.»

Fonte: Resumo Histórico que serviu de base à efectivação dos Símbolos Heráldicos


PEQUENAS HISTÓRIAS DA FREGUESIA


Os Carrilanos e as Carapuças

«O Caminho-de-Ferro da Beira Baixa, inaugurado há 117 anos, 5 de Setembro de 1891, de Abrantes a Castelo Branco e, no dia seguinte, de Castelo Branco à Covilhã, trouxe algum desenvolvimento ao Alcaide, quer pela utilização do novo meio de transporte, quer pelo trabalho que proporcionou à população, contando-se, logo de início, muitos ferroviários alcaidenses. A construção de uma estrada, com ponte de alvenaria sobre a ribeira de São Macário, erigida por pedreiros alcaidenses, ligou a povoação à Estação dos comboios.
Na inauguração da linha, o comboio real, com o Rei D. Carlos, a Rainha D. Amélia, ministros incluindo João Franco, natural do Alcaide, parou no dia 6, depois do Meio-Dia, na Estação que se encontrava engalanada com palmas, arcos de verdura e flores, com a presença dos alcaidenses e banda de música a tocar as modas do tempo.
Os trabalhadores utilizados na construção da linha, nos trabalhos desde o túnel do Magalão até à Estação do Alcaide, vindos de várias localidades do País, designados por carrilanos (de carril), reabasteciam-se no Alcaide, a povoação mais próxima, o que ocasionou o desenvolvimento do comércio, para lhes prestar apoio logístico. Com a morosidade da abertura do túnel do Magalão, das pontes metálicas do Magalão, dos Carneiros e do Alcaide, principais obras de arte ferroviárias em terras do Alcaide, escavação e rompimento de trincheiras e enchimento de aterros, a aldeia viveu alguns anos com a presença dos carrilanos, que ali se deslocavam para fazerem compras e divertirem-se, na medida do possível, em especial, nos bailaricos aos domingos.
Nas imediações da Ponte dos Carneiros, foram edificados uma azenha e um forno, actualmente em ruínas, para abastecimento de pão aos carrilanos. A cerca de 40 metros da ponte, ainda existe uma casa que serviu de arrecadação de ferramentas e de venda de produtos de consumo.
Os rapazes alcaidenses e alguns homens não viam, com bons olhos, os carrilanos na povoação, porque eram de fora e podiam competir com eles na procura de mulher ou de rapariga. Só podiam permanecer na aldeia até ao pôr-do-sol e, algumas vezes, eram corridos à pedrada, nos limites próximos do povo. Nos bailaricos, aconteceram diversas zaragatas do que resultavam feridos e até um carrilano perdeu a vida.
Conta-se que, em certa altura, os carrilanos que entrassem no Alcaide só podiam sair dos limites do povoado se fossem portadores de uma carapuça, que tinham que adquirir num comércio local. Um grupo de amigos do comerciante, que vendia as carapuças, a troco de uns copos de vinho, esperava os carrilanos à saída e revistava-os. Os que não exibissem a carapuça tinham que ir comprá-la, para que não fossem sovados. Para bem deles e para bem do comerciante!»

Fonte: Dr. Albano Mendes de Matos




Parque D. Maria do Carmo



Praça Comendador Joaquim Gil Pinheiro



Parque do Bairro D. Fernando de Almeida


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